Vida e gloria na memória curta
De um gafanhoto que aguarda libertar-se de um ambiente transparente
Meio circular, segurado por dedos, já não tem mais ar
Pra respirar guarda no seu corpo um pouco de esperança
Até que um olho bondoso o salve de dentro do copo
Ali dentro é tão sofrido contará para os gafanhotos-filhos
Um pouco de sofrimento que trouxe sabedoria
Não se fica perto de humanos, muito menos de copos
Num belo dia você menos espera e é rodeado
Por dedos malvados, humanos safados
Crianças travessas, mal sabem o porque da diversão
Prenderam-me num copo chamaram os amigos pra me ver
São tão maluquinhos me acharam sozinho
Pra tentar me matar mas eu estou bem forte
Gafanhoto do norte recheado de sorte
O azar me pegou, só tem ar ali fora
-Me tirem daqui! Comecei a pular
de um lado pro outro, pro copo quebrar
já estou num sufoco, mas o que eu fiz moço?
sou gafanhoto do bem, não pico, não mordo
não faço o mel que te engorda, engordou teu filho
tinhoso menino que me tira o ar, injustiça!
Se daqui eu sair o jardim inteiro vai saber
As abelhas virão, ele fez por merecer
Aqui tem açúcar daqui posso ver
As formigas vão gostar da boa noticia
Aranhas assustarão, criarão teias bonitas
Podem ser varridas, mas correrão os riscos
Nada pega o preço da sua mulher dando um belo grito
E fico pensando, botou no mundo família de humanos
Mas se não respeita a nós, também não os respeitamos.

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